sábado, 29 de agosto de 2009

... mors venit.

Mors venit - a morte se aproxima... Mentira, a morte não se aproxima, ela sempre esteve ao nosso lado, cega e surda, não importando quem sejamos.

Desde a concepção ela está lá, cada divisão celular é uma a menos no total, a cada respiração, a cada corte, arranhão a cada dia, minuto, segundo, nossas células continuam a morrer e multiplicar, nos cada vez mais próximos do fim.

Mesmo sendo a morte, algo natural e inevitável, ainda perdemos tempo pensando nela, as vezes ficando tão preocupados com o fim que deixamos de lado o hoje. Acredito que quando a hora chegar e minha vida se estinguir, deveremos contar à morte a história de nossas vidas cabendo a ela decidir o rumo de nossa alma imortal baseada na história.

Logo devemos viver intensamente, aproveitando cada segundo por mais doloroso que isso possa ser algumas vezes, o segredo é abrir mão das preocupações sobre as coisas que não podemos mudar, como dizia minha avó: "Não adianta chorar sobre o leite derramado".

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Tempus fugit...

Tempus fugit - O tempo foge, o que acontece independente do que queremos, o tempo continua a escoar por entre nossos dedos sem que possamos fazer algo para impedí-lo. Ele sempre está lá, eterno e indiferente, quantas vezes não gostaríamos de que aqueles momentos de felicidade durassem para sempre mas que no entanto continuam a durar apenas o tempo de uma batida do coração? E o que dizer dos momentos de tédio ou tristeza que insistem em durar para sempre? Aquela consciência de que cada segundo, não, cada milésimo de segundo se arrasta preguiçosamente na direção do passado, simplesmente sádico esse tal de tempo...

Nossa mente é quem dita as regras no final das contas, brincando com a percepção do tempo a seu bel-prazer, recusando-se a nos ajudar na tarefa de tornar eternos os momentos de felicidade e rápidos como o ruflar das asas de um beija-flor os tristes... Sabendo quem a vilã deste problema (e da maioria dos sentimentais também) é podemos pensar em uma solução que nos permita domar o tempo ou pelo menos a sensação de sua passagem.

Apesar disso, o tempo ainda foge... Mas a solução, apesar de não ser simples, ainda é a mesma: Controle a mente, controle o mundo.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Dos detalhes

Nos últimos dias eu percebi que só consigo escrever ou compor quando estou deprimido, e pelo teor do blog vocês já devem ter percebido o nível das minhas obras. O mais estranho é que as vezes eu só percebo depois que já tenho uma poesia completa na cabeça (qualquer dia eu posto algo aqui), mesmo que pensar em rimas não seja algo que a maioria das pessoas geralmente faça, acontece naturalmente comigo durante os momentos deprê.

Ao adotar os protocolos sociais como um hobby passo a maior parte do tempo observando as pessoas, atentando aos pequenos detalhes, como expressão corporal e entonação de voz. Nosso corpo fala o tempo todo mesmo nas horas em que nada queremos dizer. Como o bom jogador de pôquer que consegue ler o rosto dos adversários como um livro, eu tenho a pretenção de ler as pessoas onde elas não conseguem mentir, no corpo.

Um sorriso na hora errada, um tique, um olhar atravessado, mesmo esses pequenos detalhes podem revelar muito mais sobre uma pessoa do que ela gostaria. Na interminável batalha das relações sociais, aquele que consegue controlar seus impulsos e ler os alheios possui uma grande vantagem, é preciso saber aproveitá-la bem. Então já sabem, caso eu apareça com alguma coisa melosa por aqui, provavelmente estou deprê.

Enquanto tentamos desesperadamente nos encaixar nos moldes impostos pela sociedade, acabamos traídos pelo nosso corpo que felizmente, não sabe mentir.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Da hipocrisia

É incrível o modo como as pessoas se apresentam ao mundo, todos temos falhas, defeitos, segredos sombrios que nunca compartilhamos às vezes nem mesmo com nós mesmos. Mesmo assim somos capazes de apontar e criticar "falhas de caráter" em nossos semelhantes.

Não existe quem nunca comentou algo assim: "fulano-de-tal é um baita interesseiro". A hipocrisia já começa aí, egoísmo, interesse, hipocrisia e as mentiras fazem parte do cerne do ser humano, não há como fugir disso, assim, qualquer pessoa que afirma não ser interesseira ou hipócria não passa de uma mentirosa.

Raros são aqueles que abraçam essas facetas obscuras da personalidade humana e mesmo assim, são tidos como proscritos, renegados entre os seus, que se escondem atrás da máscara da hipocrisia o que torna a mentira agradável mais real.

No final das contas o velho ditado da vovó diz tudo: "Por fora bela viola, por dentro pão bolorento".

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Do egoísmo

É errado desejar a felicidade, mesmo que o preço a pagar seja a felicidade de outro?

Com essa pergunta inicio o post de hoje para refletirmos sobre o modo como encaramos o mundo, pois todos não desejamos a felicidade? Claro, faz parte do pacote a eterna busca pela felicidade... Digo eterna busca pois quem pode afirmar ser completamente feliz e não querer mais nada? Será que é possível chegarmos ao ponto onde não exista mais nada que nos faça seguir adiante, crescendo como pessoas?

Impossível! Desejar é da natureza humana, assim como o interesse e principalmente o egoísmo. Quem nunca ignorou a vontade de outros para alcançar um momento de felicidade? Claro que a maioria dirá que não, seriam incapazes de prejudicar outras pessoas em proveito próprio... Isso também é compreenssível, a hipocrisia ajuda manter a mentira agradável que contamos a nós mesmos o tempo todo, entretanto prejudicar alguém nem sempre precisa ser algo grandioso e cruel, o egoísmo existe nas pequenas coisas.

Quem nunca furou fila? Ou acotovelou alguém em busca do tão desejado banco no trem em pleno horário do rush? Ou ainda pertou o botão de fechar as portas do elevador mesmo que alguém tenha feito sinal para segurar por mais alguns instantes, comeu guloseimas escondido para não ter que dividir? Pois cada coisa dessas é um ato de egoísmo e ainda de prejuízo ao próximo, moral ou material não importa no final das contas.

Mesmo que eu a faça sofrer por estar ao meu lado, eu ainda assim quero, não... preciso, tê-la junto a mim pois assim estarei um passo mais próximo da sempre inalcansável felicidade...

É errado desejar a felicidade, mesmo que o preço a pagar seja a felicidade de outro? Podem até dizer que sim, mas se confrontados com uma situação assim, quero ver quem cederá de bom grado pelo bem estar de outro. Somos todos egoístas e hipócritas o bastante para fingir que não...

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Álcool

Estou aqui, bêbado.

O Álcool deveria tornar as coisas mais fáceis, mas deixar o coração correr solto sobre uma mente embotoada, não é o que eu chamaria de facilitar. Ao me dizer que eu devo abandonar minha fantasia confortável sobre um futuro feliz ao seu lado, ele pede que eu encare a realidade, fazendo com que eu perca meu único motivo de seguir adiante...

Apesar do prazer momentâneo, o álcool não ajuda em nada, só atrapalha. Ok, talvez ele ajude, tornando a mentira da personalidade expansiva e da timidez inexistente verdade, mesmo que por pouco tempo ajudando a realizar os desejos menores que dependem da comunicação social, como dizer aquela bela moça ao seu lado o quanto você gostaria de beijá-la.

No outro dia, quando não temos que suportar os tormentos físicos da ressaca, por muitas vezes nos deparamos com algo inesperado e muito mais doloroso: a ressaca moral. Nesse estado sofremos de algo pior que a dor física, sofremos do arrependimento e da vergonha de palavras ditas ou por dizer, de atos e omissões. No que Deus pensava quando deu a consciência do ser ao Homem?

Talvez a resposta esteja no fundo de outra garrafa, da próxima vez eu só precise beber o bastante para encontrá-la.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Ignorância

É incrível como apenas uma música pode mudar completamente seu humor... Mesmo que eu já estivesse propenso a sentir pena de mim, aquela música praticamente me forçou a entrar em modo fossa.

De todas as mulheres do mundo eu tinha que amar justo a ela? Não é justo, não é justo mesmo. Eu estava muito bem sem sentimentos para tolher meu julgamento, obrigado. Não é como se eu estivesse dizendo que não sentia nada antes, eu apenas estava na igorância em relação a isso... E a ignorância é uma daquelas coisas que só damos valor quando perdemos, pode apostar.

Os humanos em geral são assim, na maior parte do tempo ignoram o mundo ao seu redor preferindo acreditar nas mentiras convenientes que deixam viver mais fácil. Quando seus olhos se abrem para o que realmente está lá, não tem volta, é como se você fosse a única ovelha no matadouro que sabe o motivo de tanta comida disponível. E o que fazemos quando descobrimos? Fingimos esquecer, você não precisa de correntes para aprisionar o homem quando ele se aprisiona de bom grado em troca de uma mentira agradável.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Começo

Todo fim tem o seu começo, mas nem todo começo tem seu fim. Cá estou em mais um começo, desejando apenas que ele possa ter um fim e não apenas se perder entre as inúmeras coisas inacabadas da minha vida.

Escutando Within Temptation, pela primeira vez em muito tempo, as músicas trazem lembraça de uma época que não sei se foi boa ou ruim, apenas foi. A maioria das lembranças são de arrependimentos, arrependimentos de coisas que não fiz e de coisas que deixei acontecer. Com o coração pesado de tristeza, meu peito dói, sem que eu ao menos consiga deixar um pouco dessas tristezas serem lavadas pelas lágrimas...

Se eu tivesse percebido meus sentimentos naquela época as coisas poderiam ser diferentes? Cabelos longos, bebedeira e muita pose de rebeldia, valeu a pena? Ter sido mais um exteriorizando confiança para esconder um interior assustado e inseguro não parece um bom trato hoje em dia. Ainda inseguro (e muito mais assustado), mas sem poder dar ao luxo de mostrar-me assim, e quando podia não quis.

Juventude, juventude... Por que te damos valor apenas quando não a temos mais?