sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Natal

"E essa época do ano chega novamente". Algo sempre dito por aí, não?

Como sempre eu apenas não consigo me deixar levar pela empolgação alheia, como se ficar feliz no natal fosse uma obrigação, uma linha de comando imputada em nossos cérebros desde a mais tenra idade. Para o bem ou mal, não sou afetado por isso.

O natal para mim é apenas mais um dia onde meu coração ainda dói, com saudades de algo que nunca conheci...

As vezes penso no que eu sentiria se as coisas fossem diferentes, mas acho difícil voltar a sentir qualquer coisa parecida com o que sentia quando criança.

Mais uma vez, paciência.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Doença

É sempre bom saber que ainda posso ficar doente.

E aqui, sozinho é difícil não ligar para casa e perguntar: "Mãe, o que eu faço?"

Ainda mais quando eu sei que isso só a deixará preocupada... O que aconteceu com aquele eu que não divide seus problemas com quem não pode ajudar a resolvê-los? O que minha mãe pode fazer estando ela tão longe? Nada, eu sei. Mas isso não me impede de querer ao menos ouvir sua voz quando não posso tê-la ao meu lado para segurar minha mão e espantar meus medos.

Egoísta até o fim, eu ligo e a deixo preocupada... No final das contas não era nada grave, no dia seguinte eu já estaria bom, mas isso não me impediu de fazer minha mãe perder uma noite de sono...

E como repreender uma mãe que só está preocupada com seu filho, mesmo que ele aparentemente não tenha essa mesma preocupação em relação a ela? Impossível.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Silêncio

Nos cantos sombrios,
sentei
De meus belos sonhos,
acordei
No silêncio marcado pelas batidas do meu coração,
esperei
No quarto depredado as plantas secas,
reguei
Nas trevas de minha mente, sentindo medo,
me acovardei
Dos muitos que me acompanhavam, apenas eu
restei
Agora sozinho e perdido,
chorei.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Fraqueza

Por que as pessoas não acreditam quando eu digo que não sou bom? Talvez seja a forma que eu diga, com um sorriso no rosto, elas devem pensar que as pessoas realmente ruins não saem espalhando isso por aí, ledo engano.

Engano, pois, meu coração é frio e duro como o mármore, minha alma negra como piche e minha mente sempre calculista. Queria que isso não fosse verdade, alguma parte de mim se entristesse por essa condição, enquanto a outra, ah a outra...

A outra, quando vê alguém puro e belo, deseja corromper, compurscar, fazer com que esse alguém chegue ao fundo do poço e quando ele estiver lá, destruí-lo completamente para depois dizer: "Eu sou frio, mau e feio, mas forte. De que lhe adiantou ser puro, bom e belo se és fraco?"

Emoções e pensamentos contraditórios, ser muitos e não ser ninguém... Esperanças? Não, obrigado.

domingo, 29 de novembro de 2009

Arma

"Arma de escritor é a palavra", não liguei para essas palavras ao ouvi-las de uma amiga dias atrás, agora elas assombram meus pensamentos o tempo todo.

E eu não tenho poupado essa minha arma, se é que posso me considerar um escritor, sempre usando-a sem pensar nos outros, apenas em mim. Enganando, atraíndo e traindo sem arrependimento nenhum, ou quase nenhum.

Me arrependo sim, em cada uma das vezes, mas esse arrependimento não dura. É efêmero e subjetivo, não me faz perder o sono a noite ou me levar a parar.

Sigo em frente com a arma carregada e nada que me impeça de puxar o gatilho a todo o momento. Até quando isso vai durar? Por quanto minha espera ainda vai durar?

... cansei das longas noites solitárias.

sábado, 28 de novembro de 2009

???

E na embriaguês do álcool e do tempo eu me sento mais uma vez cansado, prostrado. Esperando que amanhã eu não cometa os erros de ontem tornando-o melhor que o hoje.

Ainda espero na madrugada, o sorriso sincero, aquele que com o maior esmero traga de volta a alegria do viver.

Viver sem nunca apreciar o amanhecer é triste, e assim, cabisbaixo com os olhos nunca altos espero...

... você.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Dor

Aperto minhas mãos com força o bastante para deixar os nós de meus dedos brancos, a raiva queima em meu peito utilizando minha alma como combustível... Aperto com mais força agora e começo a sentir as unhas rasgando a pele macia da palma da mão, logo o sangue começa a escorrer quente e espesso. Mesmo que o sangue seja quente, por quê ainda sinto meu coração tão frio?

A dor do ferimento me acalma, ela pulsa como se minha mão estivesse de encontro ao peito de alguém, sentindo o coração dessa pessoa batendo no mesmo ritmo que o meu. Como eu gostaria que fosse verdade.

Agora ao digitar a dor ainda incomoda, mas não muito, sentir algo -mesmo que esse algo seja dor- me faz parecer mais humano algo de que tenho necessitado muito nos últimos tempos. Os sonhos não vêm mais deixando a noite vazia.

Penso que isso é apenas uma fase dizendo a mim mesmo que tudo vai passar... Essa mentira não funciona mais e também já estou cansado de me enganar. Que se foda.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Temores

No fundo eu temo as pessoas.

Temo que todas elas também comam do fruto da árvore da vida descobrindo o que eu tenho feito a elas todo esse tempo.

Qual seria a reação delas? Raiva? Medo? Ódio? Indiferença? De todas as reações possíveis a última é a que mais temo, indiferença...

Por isso que selo no fundo da minha alma aquilo que realmente penso ou sinto, por isso que apresento para as pessoas aquilo que elas querem que eu seja e não o que realmente sou.

No final das contas sou um espelho, refletindo o ambiente e as pessoas à minha volta na esperança de que elas não percebam o que se esconde atrás de meu olhar vazio dos meus sorrisos falsos, das minhas máscaras coloridas que não as deixam ver o qual vil e sujo eu realmente sou.

sábado, 7 de novembro de 2009

Fragmentos

Não sei por que ainda tento fingir ser normal quando sou tão diferente, quase como se falássemos de espécies completamente distintas, eu e o resto das pessoas. Impossível.

Ainda insisto em tentar me divertir de um jeito normal para as pessoas da minha idade: festas em casas noturnas.

Lá dentro as pessoas ao meu redor parecem estar se divertindo, fico pensando no porquê de eu não conseguir, mesmo depois de todo esse tempo.

Deixo que as batidas do som insuportavelmente alto preencham completamente minha mente, meu corpo se move mimetizando as pessoas ao meu redor, tento não pensar, mas não consigo.

Sob a luz dos estroboscópios tudo parece ficar em câmera lenta, fragmentos das ações ao meu redor são registradas pelo cérebro em um nível praticamente subconsciênte. Meu corpo não é mais meu, braços e pernas se movem, controlados não por mim, mas pela música.

Existe a aproximação entre os sexos opostos, me esquivo o quanto posso até ficar encurralado e ter que performar todo o protocolo social, sei que no dia seguinte sentirei nojo de mim, digo a mim mesmo que isso é preferível a não sentir nada, ponto para a bebida.

Perdi o último lastro que me prendia à realidade, agora o balão da minha mente voa cada vez mais alto para longe da realidade se perdendo no infinito universo da insanidade.

Quero meu lastro de volta, quero ela de volta na minha vida, quero...

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Ausência

Pessoas... Quando mais se precisa delas elas somem e você fica sozinho.

É difícil não julgá-las mal, mesmo aquelas que estiveram do seu lado o tempo todo, embora longe, ouvindo seus lamentos, sonhos, esperanças...

Me cansei das pessoas, de todas elas.

Não quero nunca mais depender de alguém a esse ponto, onde a ausência me machuca.

Cansei de me machucar...

domingo, 25 de outubro de 2009

Quase morte

Quase morri.

Acordei desesperado no meio da noite porque o ar simplesmente se recusava a entrar nos meus pulmões, sozinho sem ninguém para ajudar temi que o pior pudesse acontecer.

Uma ânsia de vomito me dominou e corri até o banheiro, um pouco tarde demais, acabei vomitando em mim mesmo no caminho, agarrei com força a beirada do lavatório tentando fazer algum ar entrar em meus pulmões entre os as ondas de vômito, impossível. Cada movimento apenas expelia o ar de meus pulmões me fazendo sentir cada vez mais próximo do fim.

Apesar da dor e do desespero ainda consegui pensar, como se a adrenalina disparada em minha corrente sanguínia esticasse o tempo fazendo com que esses segundos finais durassem para sempre. Pensei no modo patético em que iria morrer, caído em um banheiro e coberto de vômito, cômico. Sempre achei que minha morte seria mais legal.

Eu que por várias vezes desejei a morte não consegui abrir mão da vida, patético demais... Quando minha vista escureceu e eu finalmente pensei que a agonia iria acabar pensei nela, pensei nela e em todas as coisas que eu ainda queria compartilhar com ela antes de morrer. Eu não podia morrer, ainda não.

Como se uma chave tivesse sido virada por esse último pensamento o ar voltou a entrar em meus pulmões, caído no chão ainda atordoado ri um riso de pura felicidade enquanto lágrimas escorriam de meus olhos, felicidade por estar vivo, felicidade por uma nova chance.

Espero que eu não estrague essa chance como fiz com todas as outras.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Sonhos

Acendo um cigarro mas não o fumo apesar da vontade que sinto, fico ali sentado com ele queimando lentamente na minha mãe enquanto observo os padrões formados pela fumaça.

Um, dois, o maço todo se vai da mesma maneira, queimando em vão, sem nunca alcançar seu propósito da mesma forma que minha vida se arrasta dia após dia, se esvaíndo lentamente... Por nada.

É tão bom ficar observando a fumaça, minha mente fica em branco, nenhum pensamento, nada. Por que não consigo fazer isso mais vezes? Parece algo tão fácil para as outras pessoas, assim como todo o resto, fácil demais.

Acordo do meu devaneio em branco com meu gato miando, esqueci de alimentar o único que me ama. Deve ser por isso que estou sozinho, por pensar demais e esquecer dos que estão a minha volta...

Provavelmente acabarei meus dias esquecido pelo mundo em uma casa velha cheia de gatos, e assim, quando morrer, que eles possam devorar meu corpo, pedaço por pedaço, carregando com eles pequenas partes do meus sonhos nunca realizados.

domingo, 18 de outubro de 2009

Apresentações

O convite para escrever nesse blog me surpreendeu e deixou feliz, eu mesmo comecei o meu depois de ler o Libris et Moestitia.

E não foi só depois de alguns e-mails que consegui alguma resposta do Traurigkeit, ouso dizer que ficamos amigos, o bastante para que ele me convidade a escrever aqui. Sinto não poder ainda fazer juz a tudo o que já foi escrito mas prometo me esforçar.

Para que meu começo não seja vazio, deixo uma de minhas poesias, que mesmo não tão boas, exprimem um sentimento em comum com as postagens do LeM:

Maybe...

Maybe one day I wake up better
Maybe my heart isn't bleeding
Maybe my heart was died
Maybe I find the true love,
Like in the fairy tales
Maybe my only true love is the Death
Maybe one day I can be free of my fears
Maybe my fears become true
Maybe this day is coming
Maybe This day keep as a dream
Maybe not...
Maybe I need to grow up
And forget my child dreams...
Maybe I need only to love and be loved
Or just forget...

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Espasmos

As pessoas são no fundo, um mal necessário. Adoraria poder viver sem elas apesar de nunca conseguir fazê-lo, sempre tenho que dizer a alguém o quão desaforntunado sou e esperar essa pessoa dizer que não, eu sou bom e belo apenas não vejo isso.

Mentiras que sejam essas afirmações - pois como posso ser bom e belo se não o sou para a única pessoa que importa? - Ainda me vejo cada vez mais dependentes delas, faminto na verdade, com uma fome insasciável.

Ela, ainda fria, ainda distante, ainda impossível de alcançar pelos meios corretos, ainda dona do meu coração...

Eu, ainda observando, ainda bem perto, ainda disposto a sacrificar tudo, ainda escravo de sua vontade...

Injusto, injusto...

P.S.: Convidei meu amigo do Le Renard sans La Rose para postar aqui (e ele felizmente aceitou, pois o nível está caindo, muito), ele ainda deve vir por esse dias.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Medo

Quando as cortinas se fecham e as luzes se apagam, eu tenho medo.

Quando chego em casa e não há ninguém além de mim, eu tenho medo.

Quando todos se vão e apenas eu resto, eu tenho medo.

Quando fico sozinho, eu tenho medo.

Medo de ficar sozinho com meus pensamentos, pois eles me levam a lugares onde não quero ir, medo de ficar sozinho comigo mesmo e descobrir que depois de tanto fingir ser outra pessoa esqueci como é ser eu mesmo, medo de morrer sem ter realizado nada nem ser lembrado por ninguém, medo de nunca mais descobrir o amor, medo.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Penso

Eu penso nas resoluções que abandonei, penso em todas as coisas das quais abri mão até agora.

Penso no céu lá fora, com suas estrelas ofuscadas pelo forte brilho das luzes da cidade, penso naqueles que amo tão longe de mim que estão... Penso nas pessoas que conheço e nas que acham que me conhecem, penso, penso penso...

Penso nela mais do que qualquer coisa, seu jeito, sua voz seu tudo. Mesmo que agora não sejamos nada mais do que estranhos desconhecidos é para ela que meus pensamentos voam a todo momento.

Sentado agora em frente ao computador, com o coração encolhido no peito e os olhos vermelhos das lágrimas que nunca vem penso no passado, penso em como ele poderia ter sido se... Se ao menos eu tivesse, se ao menos eu soubesse, se ao menos eu pudesse, se ao menos ela me quisesse, Sempre se...

E assim, sempre pensando e nunca agindo passo meus dias cheio de pena por mim, esperando que o mundo tome alguma providência, que as pessoas percebam minha dor, que ela finalmente me entenda e ame.

Penso.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Pedra

Droga.

Dias ruins desde o último encontro... Perdi tudo, tudo... Nunca deveria ter me entregado tanto assim aos sentimentos e menos ainda depositar tanta fé em uma única pessoa.

O sol não brilha mais em meu mundo, mas lá fora ninguém parece notar. As pessoas ainda seguem com suas vidas e o mundo insiste em ser belo, talvez se tudo o mais ao meu redor fosse feio e sem cor minha dor seria mais suportável.

Droga. Odeio ficar assim, deprimido.

Minha vontade é de arrancar o coração do peito e com ele escrever nas paredes todos os sentimentos que ele guarda, assim quando não sobrasse mais nada e ele não pasasse de uma pedra fria em minhas mãos, devolvê-lo ao seu lugar e seguir adiante o caminho da mente, seguir, seguir, seguir até que não sobre nada além da racionalidade. Lógica, lógica... Simples em sua frieza.

Droga.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Cartas de Baralho

Não consigo dormir. Meu corpo pede desesperadamente pelo sono, que não vem. Ao fechar os olhos, minha mente, insensível as necessidades do corpo, insiste em se manter alerta, trazendo os mais nefastos pensamentos à tona. Estou cansado, quero dormir...

Claro que existe um motivo, sempre temos algo ou alguém a culpar, é a natureza humana pura e simples em seu egoísmo... Dessa vez é por causa dela. Trocamos palavras frias no corredor, eu tentando não trair o que sinto, ela escondendo - não muito bem - o desagrado que minha abordagem causou. Ainda assim não consigo culpá-la, afinal de contas é de mim que estamos falando...

Eu sabia que algo assim iria acontecer um dia, sempre soube. Maldita mania de ler as pessoas! Desde a primeira vez que a vi, eu sabia que ela era o único amor da minha vida e que nunca ficaríamos juntos no máximo amigos, por muito tempo alimentei esperanças de que um dia as coisas funcionariam entre mim e ela, nem que para isso eu tivesse que negar tudo e me tornar o que ela espera, agora não mais, nunca mais. Ainda assim não consigo culpá-la, pois a amo e continuarei amando para sempre, sempre e sempre. Mesmo depois de hoje.

Odeio quando a vida resolve estragar minhas mentiras agradáveis esfregando a verdade na minha cara. Odeio conseguir ler as pessoas e odeio mais ainda estar sempre certo. Nessas horas eu penso na vida como uma partida de poker, onde cada pessoa é uma carta marcada, mesmo sabendo disso ainda não consigo ganhar. Estou cansado, muito cansado... Não consigo dormir.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Do Condicionamento

Nem sempre é fácil manter uma resolução, tomá-las sim, mas mantê-las é difícil, muito difícil...

Tomei resoluções a respeito de como levar minha vida, abandonando a abordagem adotada por grande parte dela. Não mais analizaria a vida de modo simplesmente lógico, levando minha mente a trabalhar incessantemente na captação, desconstrução, análise, reorganização e reconhecimento de padrões em tudo o que me cerca, desde os protocolos sociais até as mínimas expressões faciais.

Basicamente eu me restringia às pessoas, minha personalidade moldando-se para cada uma em busca da otimização nas relações interpessoais. Quanto mais sabia, mais prováveis relacionamentos afloravam e maiores eram minhas dúvidas... E antes que eu me perdesse em meio ao caos do comportamento humano comecei a enxergar um padrão, que mesmo não sendo muito claro com apenas sua sombra sobre o caos me levou a um estado semi-presciênte onde as surpresas eram escassas.

Descobri que o caos possuia um catalizador, os sentimentos, que enquanto não dissecado sob a lógica, nunca poderia ser compreendido em sua totalidade, assim, virei as costas para os sentimentos de forma a entendê-los "de fora". Essa resolução quase foi minha ruína... Difícil com eles, praticamente impossível sem eles. A cada dia que seguia essa resolução, me tornava menos e menos humano, não fosse pelo amor a ela, provavelmente eu não estaria mais aqui...

O ponto de toda essa história é o condicionamento. Estou condicionado a viver sob a lógica fria e analítica e é difícil mudar isso, ainda mais depois de resolver abraçar os sentimentos que continuam a trazer mais tristezas do que alegrias. No final das contas é tudo como diz o velho ditado: "Pau que nasce torto, nunca se endireita".

Momentos difíceis assim me fazem desejar o frio esquecimento, quão doce e tentadora não é a idéia de simplesmente esquecer, esquecer, esquecer...

domingo, 27 de setembro de 2009

Convivência

Faca de dois gumes, raramente prazeirosa e sempre cruel.

A dependência que causa, maldita convivência, maldita seja! Enquanto procuro o caminho que me leve ao aprimoramento, suas distrações fazem com que temos assim ocorram, tempos em que apenas consigo pensar nos erros que cometi com aqueles a minha volta.

Sinto vontade de virar as costas e abandonar tudo, voltar ao tempo onde os sentimentos nada mais eram que ecos longínquos e não gritos intermitentes em minha cabeça... Necessária e despresível é você convivência.

Espero um dia saber cultivar-te, e que seus frutos amargos sejam apenas uma lembrança distante, mais uma dentre as milhares de outras tristes que tive e ainda terei.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Pensamentos do caminho II

A nova postura que assumi em relação ao caminho é simples na teoria: mente e sentimentos devem andar juntos. Infelizmente a prática nunca se prova igualmente simples, a dificuldade em deixar livres os sentimentos, que prendi por tanto tempo é tão grande que chega a me fazer pensar em desistir.

Passado o momento inicial da iluminação, os sentimentos, agora livres me confundem na sua intensidade e aparente caos. Já perdi as contas das vezes que derramei lágrimas, que pensei estarem eternamente fora de meu alcance, motivos banais quando vistos a luz da mente, mas que provocam reações imensas dos sentimentos.

Nem tudo é dificuldade, permitindo-me sentir encontrei na empatia um grande auxílio no estudo das pessoas, empatia e lógica se completam e me dão uma sensação de presciência que apesar de nova é completamente familiar. Ainda assim, não me sinto triste ou entediado com a previsibilidade humana, pois quando os sentimentos são considerados elas não se parecem tão previsíveis assim.

O próximo passo é encontrar o equilíbrio entre os sentimentos e a mente, ao fazer isso estarei mais longe no caminho do que jamais sonhei ser possível sem ter que abrir mão da condição humana, o maior presente que recebemos do criador.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Dos medos e mudanças

O Medo é algo natural e instintivo a todos os humanos. Antes da consciência, o medo era responsável por nos manter vivos, temendo o desconhecido e os perigos em potencial, aumentava, e muito, as chances de sobrevivência.

Hoje em dia, apesar de necessário (afinal de contas a ausência total de medo leva à destruição), o medo não é mais essencial, sendo assim, devemos controlá-lo para que ele não nos impeça de aproveitar as coisas belas que sugem com as mudanças.

As mudanças sempre inspiraram o medo, todas elas, boas ou ruins, Prezamos o conhecido e abominamos o desconhecido levados pelo instinto primário de auto-preservação com o qual nascemos.

Todas as mudanças são ruins? Não. Algumas além de boas são necessárias, o amadurecimento do corpo e da mente são exemplos de tais mudanças. A lagarta que tem medo de sair do casulo acabará morrendo privando o mundo, e a si mesma, da beleza da borboleta.

Assim, algumas vezes devemos deixar o medo de lado aceitando os riscos de uma mudança, que pode sim ser ruim ou trazer dor, mas que também pode proporcionar uma grande alegria. Principalmente sentimentos, que como a lagarta, presos por muito tempo no casulo da repressão, definham e morrem, deixando apenas o vazio e tornando-se hipóteses que nos levam a pergunta: "Como teria sido se...?"

domingo, 13 de setembro de 2009

A Luz

Rejubilem-se pois há esperança!

Por muito tempo estive cego, achava estar trilhando um caminho sem volta rumo ao nada, um caminho onde conhecimento e sentimentos não poderiam coexistir, mas esta não era a verdade. O verdadeiro caminho do conhecimento não só permite que os sentimentos existem, como necessita deles, pois sentir também faz parte do conhecimento!

Ah, como o fardo sobre meus ombros é menor agora! Tive medo, muito medo de perder aquilo que me era mais precioso ao trilhar o caminho do conhecimento, o que sinto por ela. Sim, admito que cheguei muito perto deste fim, perto o bastante para que as areias do deserto queimassem meus pés.

O mundo que se descortina diante de meus olhos, aquele mesmo mundo que odiei por fornecer elementos para meu sofrimento, tão irreal e insignificante, agora brilha como novo! É necessário sentir, amar, sofrer, sim, sofrer! Pois como ser feliz na igorância da tristeza? Pois para que haja o bom o mau deve existir, da mesma maneira que para que haja luz deve-se primeiro haver trevas.

Digo a vocês mais uma vez para se rejubilarem, e abrirem suas mentes e corações para o mundo que nos rodeia, tantas coisas que passaram desapercebidas enquanto mantinha meu coração fechado, mas que agora prendem minha atenção por horas sem fim!

O verdadeiro caminho está a nossa frente, só é necessário abrir mente e coração para vê-lo, e paciência e vontade para segui-lo.

sábado, 5 de setembro de 2009

Pensamentos do caminho

Hoje escrevo sem me sentir deprimido, o que me leva a escrever hoje não é um estado de espírito, mas sim a ausência de um. Quanto mais me aprofundo na análise dos sentimentos e relacionamentos, mais me afasto deles. Uma vez que o caminho é tomado, não existe volta, você estará para sempre fadado a ser um estranho entre os seus.

Ainda existe muito a aprender, padrões a descobrir e decifrar... E minha curiosidade não parece ter fim, entretanto temo pela minha sanidade, para entender os sentimentos tenho que abrir mão deles e ainda existem alguns dos quais não consigo me desfazer...

Sentimentos estes, que nutro apesar do sofrimento que me causam, pois representam meu único elo com a humanidade, me refiro assim à humanidade, pois seria um humano sem sentimentos humano? Como chamar de humano alguém que não consegue amar?

Mesmo assim, continuo vivendo um dia de cada vez, sem que as pessoas ao meu redor percebam a luta feroz entre meu coração e minha mente, luta que determinará meu destino, para o bem ou para o mal.

sábado, 29 de agosto de 2009

... mors venit.

Mors venit - a morte se aproxima... Mentira, a morte não se aproxima, ela sempre esteve ao nosso lado, cega e surda, não importando quem sejamos.

Desde a concepção ela está lá, cada divisão celular é uma a menos no total, a cada respiração, a cada corte, arranhão a cada dia, minuto, segundo, nossas células continuam a morrer e multiplicar, nos cada vez mais próximos do fim.

Mesmo sendo a morte, algo natural e inevitável, ainda perdemos tempo pensando nela, as vezes ficando tão preocupados com o fim que deixamos de lado o hoje. Acredito que quando a hora chegar e minha vida se estinguir, deveremos contar à morte a história de nossas vidas cabendo a ela decidir o rumo de nossa alma imortal baseada na história.

Logo devemos viver intensamente, aproveitando cada segundo por mais doloroso que isso possa ser algumas vezes, o segredo é abrir mão das preocupações sobre as coisas que não podemos mudar, como dizia minha avó: "Não adianta chorar sobre o leite derramado".

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Tempus fugit...

Tempus fugit - O tempo foge, o que acontece independente do que queremos, o tempo continua a escoar por entre nossos dedos sem que possamos fazer algo para impedí-lo. Ele sempre está lá, eterno e indiferente, quantas vezes não gostaríamos de que aqueles momentos de felicidade durassem para sempre mas que no entanto continuam a durar apenas o tempo de uma batida do coração? E o que dizer dos momentos de tédio ou tristeza que insistem em durar para sempre? Aquela consciência de que cada segundo, não, cada milésimo de segundo se arrasta preguiçosamente na direção do passado, simplesmente sádico esse tal de tempo...

Nossa mente é quem dita as regras no final das contas, brincando com a percepção do tempo a seu bel-prazer, recusando-se a nos ajudar na tarefa de tornar eternos os momentos de felicidade e rápidos como o ruflar das asas de um beija-flor os tristes... Sabendo quem a vilã deste problema (e da maioria dos sentimentais também) é podemos pensar em uma solução que nos permita domar o tempo ou pelo menos a sensação de sua passagem.

Apesar disso, o tempo ainda foge... Mas a solução, apesar de não ser simples, ainda é a mesma: Controle a mente, controle o mundo.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Dos detalhes

Nos últimos dias eu percebi que só consigo escrever ou compor quando estou deprimido, e pelo teor do blog vocês já devem ter percebido o nível das minhas obras. O mais estranho é que as vezes eu só percebo depois que já tenho uma poesia completa na cabeça (qualquer dia eu posto algo aqui), mesmo que pensar em rimas não seja algo que a maioria das pessoas geralmente faça, acontece naturalmente comigo durante os momentos deprê.

Ao adotar os protocolos sociais como um hobby passo a maior parte do tempo observando as pessoas, atentando aos pequenos detalhes, como expressão corporal e entonação de voz. Nosso corpo fala o tempo todo mesmo nas horas em que nada queremos dizer. Como o bom jogador de pôquer que consegue ler o rosto dos adversários como um livro, eu tenho a pretenção de ler as pessoas onde elas não conseguem mentir, no corpo.

Um sorriso na hora errada, um tique, um olhar atravessado, mesmo esses pequenos detalhes podem revelar muito mais sobre uma pessoa do que ela gostaria. Na interminável batalha das relações sociais, aquele que consegue controlar seus impulsos e ler os alheios possui uma grande vantagem, é preciso saber aproveitá-la bem. Então já sabem, caso eu apareça com alguma coisa melosa por aqui, provavelmente estou deprê.

Enquanto tentamos desesperadamente nos encaixar nos moldes impostos pela sociedade, acabamos traídos pelo nosso corpo que felizmente, não sabe mentir.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Da hipocrisia

É incrível o modo como as pessoas se apresentam ao mundo, todos temos falhas, defeitos, segredos sombrios que nunca compartilhamos às vezes nem mesmo com nós mesmos. Mesmo assim somos capazes de apontar e criticar "falhas de caráter" em nossos semelhantes.

Não existe quem nunca comentou algo assim: "fulano-de-tal é um baita interesseiro". A hipocrisia já começa aí, egoísmo, interesse, hipocrisia e as mentiras fazem parte do cerne do ser humano, não há como fugir disso, assim, qualquer pessoa que afirma não ser interesseira ou hipócria não passa de uma mentirosa.

Raros são aqueles que abraçam essas facetas obscuras da personalidade humana e mesmo assim, são tidos como proscritos, renegados entre os seus, que se escondem atrás da máscara da hipocrisia o que torna a mentira agradável mais real.

No final das contas o velho ditado da vovó diz tudo: "Por fora bela viola, por dentro pão bolorento".

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Do egoísmo

É errado desejar a felicidade, mesmo que o preço a pagar seja a felicidade de outro?

Com essa pergunta inicio o post de hoje para refletirmos sobre o modo como encaramos o mundo, pois todos não desejamos a felicidade? Claro, faz parte do pacote a eterna busca pela felicidade... Digo eterna busca pois quem pode afirmar ser completamente feliz e não querer mais nada? Será que é possível chegarmos ao ponto onde não exista mais nada que nos faça seguir adiante, crescendo como pessoas?

Impossível! Desejar é da natureza humana, assim como o interesse e principalmente o egoísmo. Quem nunca ignorou a vontade de outros para alcançar um momento de felicidade? Claro que a maioria dirá que não, seriam incapazes de prejudicar outras pessoas em proveito próprio... Isso também é compreenssível, a hipocrisia ajuda manter a mentira agradável que contamos a nós mesmos o tempo todo, entretanto prejudicar alguém nem sempre precisa ser algo grandioso e cruel, o egoísmo existe nas pequenas coisas.

Quem nunca furou fila? Ou acotovelou alguém em busca do tão desejado banco no trem em pleno horário do rush? Ou ainda pertou o botão de fechar as portas do elevador mesmo que alguém tenha feito sinal para segurar por mais alguns instantes, comeu guloseimas escondido para não ter que dividir? Pois cada coisa dessas é um ato de egoísmo e ainda de prejuízo ao próximo, moral ou material não importa no final das contas.

Mesmo que eu a faça sofrer por estar ao meu lado, eu ainda assim quero, não... preciso, tê-la junto a mim pois assim estarei um passo mais próximo da sempre inalcansável felicidade...

É errado desejar a felicidade, mesmo que o preço a pagar seja a felicidade de outro? Podem até dizer que sim, mas se confrontados com uma situação assim, quero ver quem cederá de bom grado pelo bem estar de outro. Somos todos egoístas e hipócritas o bastante para fingir que não...

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Álcool

Estou aqui, bêbado.

O Álcool deveria tornar as coisas mais fáceis, mas deixar o coração correr solto sobre uma mente embotoada, não é o que eu chamaria de facilitar. Ao me dizer que eu devo abandonar minha fantasia confortável sobre um futuro feliz ao seu lado, ele pede que eu encare a realidade, fazendo com que eu perca meu único motivo de seguir adiante...

Apesar do prazer momentâneo, o álcool não ajuda em nada, só atrapalha. Ok, talvez ele ajude, tornando a mentira da personalidade expansiva e da timidez inexistente verdade, mesmo que por pouco tempo ajudando a realizar os desejos menores que dependem da comunicação social, como dizer aquela bela moça ao seu lado o quanto você gostaria de beijá-la.

No outro dia, quando não temos que suportar os tormentos físicos da ressaca, por muitas vezes nos deparamos com algo inesperado e muito mais doloroso: a ressaca moral. Nesse estado sofremos de algo pior que a dor física, sofremos do arrependimento e da vergonha de palavras ditas ou por dizer, de atos e omissões. No que Deus pensava quando deu a consciência do ser ao Homem?

Talvez a resposta esteja no fundo de outra garrafa, da próxima vez eu só precise beber o bastante para encontrá-la.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Ignorância

É incrível como apenas uma música pode mudar completamente seu humor... Mesmo que eu já estivesse propenso a sentir pena de mim, aquela música praticamente me forçou a entrar em modo fossa.

De todas as mulheres do mundo eu tinha que amar justo a ela? Não é justo, não é justo mesmo. Eu estava muito bem sem sentimentos para tolher meu julgamento, obrigado. Não é como se eu estivesse dizendo que não sentia nada antes, eu apenas estava na igorância em relação a isso... E a ignorância é uma daquelas coisas que só damos valor quando perdemos, pode apostar.

Os humanos em geral são assim, na maior parte do tempo ignoram o mundo ao seu redor preferindo acreditar nas mentiras convenientes que deixam viver mais fácil. Quando seus olhos se abrem para o que realmente está lá, não tem volta, é como se você fosse a única ovelha no matadouro que sabe o motivo de tanta comida disponível. E o que fazemos quando descobrimos? Fingimos esquecer, você não precisa de correntes para aprisionar o homem quando ele se aprisiona de bom grado em troca de uma mentira agradável.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Começo

Todo fim tem o seu começo, mas nem todo começo tem seu fim. Cá estou em mais um começo, desejando apenas que ele possa ter um fim e não apenas se perder entre as inúmeras coisas inacabadas da minha vida.

Escutando Within Temptation, pela primeira vez em muito tempo, as músicas trazem lembraça de uma época que não sei se foi boa ou ruim, apenas foi. A maioria das lembranças são de arrependimentos, arrependimentos de coisas que não fiz e de coisas que deixei acontecer. Com o coração pesado de tristeza, meu peito dói, sem que eu ao menos consiga deixar um pouco dessas tristezas serem lavadas pelas lágrimas...

Se eu tivesse percebido meus sentimentos naquela época as coisas poderiam ser diferentes? Cabelos longos, bebedeira e muita pose de rebeldia, valeu a pena? Ter sido mais um exteriorizando confiança para esconder um interior assustado e inseguro não parece um bom trato hoje em dia. Ainda inseguro (e muito mais assustado), mas sem poder dar ao luxo de mostrar-me assim, e quando podia não quis.

Juventude, juventude... Por que te damos valor apenas quando não a temos mais?