segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Do Condicionamento

Nem sempre é fácil manter uma resolução, tomá-las sim, mas mantê-las é difícil, muito difícil...

Tomei resoluções a respeito de como levar minha vida, abandonando a abordagem adotada por grande parte dela. Não mais analizaria a vida de modo simplesmente lógico, levando minha mente a trabalhar incessantemente na captação, desconstrução, análise, reorganização e reconhecimento de padrões em tudo o que me cerca, desde os protocolos sociais até as mínimas expressões faciais.

Basicamente eu me restringia às pessoas, minha personalidade moldando-se para cada uma em busca da otimização nas relações interpessoais. Quanto mais sabia, mais prováveis relacionamentos afloravam e maiores eram minhas dúvidas... E antes que eu me perdesse em meio ao caos do comportamento humano comecei a enxergar um padrão, que mesmo não sendo muito claro com apenas sua sombra sobre o caos me levou a um estado semi-presciênte onde as surpresas eram escassas.

Descobri que o caos possuia um catalizador, os sentimentos, que enquanto não dissecado sob a lógica, nunca poderia ser compreendido em sua totalidade, assim, virei as costas para os sentimentos de forma a entendê-los "de fora". Essa resolução quase foi minha ruína... Difícil com eles, praticamente impossível sem eles. A cada dia que seguia essa resolução, me tornava menos e menos humano, não fosse pelo amor a ela, provavelmente eu não estaria mais aqui...

O ponto de toda essa história é o condicionamento. Estou condicionado a viver sob a lógica fria e analítica e é difícil mudar isso, ainda mais depois de resolver abraçar os sentimentos que continuam a trazer mais tristezas do que alegrias. No final das contas é tudo como diz o velho ditado: "Pau que nasce torto, nunca se endireita".

Momentos difíceis assim me fazem desejar o frio esquecimento, quão doce e tentadora não é a idéia de simplesmente esquecer, esquecer, esquecer...

domingo, 27 de setembro de 2009

Convivência

Faca de dois gumes, raramente prazeirosa e sempre cruel.

A dependência que causa, maldita convivência, maldita seja! Enquanto procuro o caminho que me leve ao aprimoramento, suas distrações fazem com que temos assim ocorram, tempos em que apenas consigo pensar nos erros que cometi com aqueles a minha volta.

Sinto vontade de virar as costas e abandonar tudo, voltar ao tempo onde os sentimentos nada mais eram que ecos longínquos e não gritos intermitentes em minha cabeça... Necessária e despresível é você convivência.

Espero um dia saber cultivar-te, e que seus frutos amargos sejam apenas uma lembrança distante, mais uma dentre as milhares de outras tristes que tive e ainda terei.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Pensamentos do caminho II

A nova postura que assumi em relação ao caminho é simples na teoria: mente e sentimentos devem andar juntos. Infelizmente a prática nunca se prova igualmente simples, a dificuldade em deixar livres os sentimentos, que prendi por tanto tempo é tão grande que chega a me fazer pensar em desistir.

Passado o momento inicial da iluminação, os sentimentos, agora livres me confundem na sua intensidade e aparente caos. Já perdi as contas das vezes que derramei lágrimas, que pensei estarem eternamente fora de meu alcance, motivos banais quando vistos a luz da mente, mas que provocam reações imensas dos sentimentos.

Nem tudo é dificuldade, permitindo-me sentir encontrei na empatia um grande auxílio no estudo das pessoas, empatia e lógica se completam e me dão uma sensação de presciência que apesar de nova é completamente familiar. Ainda assim, não me sinto triste ou entediado com a previsibilidade humana, pois quando os sentimentos são considerados elas não se parecem tão previsíveis assim.

O próximo passo é encontrar o equilíbrio entre os sentimentos e a mente, ao fazer isso estarei mais longe no caminho do que jamais sonhei ser possível sem ter que abrir mão da condição humana, o maior presente que recebemos do criador.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Dos medos e mudanças

O Medo é algo natural e instintivo a todos os humanos. Antes da consciência, o medo era responsável por nos manter vivos, temendo o desconhecido e os perigos em potencial, aumentava, e muito, as chances de sobrevivência.

Hoje em dia, apesar de necessário (afinal de contas a ausência total de medo leva à destruição), o medo não é mais essencial, sendo assim, devemos controlá-lo para que ele não nos impeça de aproveitar as coisas belas que sugem com as mudanças.

As mudanças sempre inspiraram o medo, todas elas, boas ou ruins, Prezamos o conhecido e abominamos o desconhecido levados pelo instinto primário de auto-preservação com o qual nascemos.

Todas as mudanças são ruins? Não. Algumas além de boas são necessárias, o amadurecimento do corpo e da mente são exemplos de tais mudanças. A lagarta que tem medo de sair do casulo acabará morrendo privando o mundo, e a si mesma, da beleza da borboleta.

Assim, algumas vezes devemos deixar o medo de lado aceitando os riscos de uma mudança, que pode sim ser ruim ou trazer dor, mas que também pode proporcionar uma grande alegria. Principalmente sentimentos, que como a lagarta, presos por muito tempo no casulo da repressão, definham e morrem, deixando apenas o vazio e tornando-se hipóteses que nos levam a pergunta: "Como teria sido se...?"

domingo, 13 de setembro de 2009

A Luz

Rejubilem-se pois há esperança!

Por muito tempo estive cego, achava estar trilhando um caminho sem volta rumo ao nada, um caminho onde conhecimento e sentimentos não poderiam coexistir, mas esta não era a verdade. O verdadeiro caminho do conhecimento não só permite que os sentimentos existem, como necessita deles, pois sentir também faz parte do conhecimento!

Ah, como o fardo sobre meus ombros é menor agora! Tive medo, muito medo de perder aquilo que me era mais precioso ao trilhar o caminho do conhecimento, o que sinto por ela. Sim, admito que cheguei muito perto deste fim, perto o bastante para que as areias do deserto queimassem meus pés.

O mundo que se descortina diante de meus olhos, aquele mesmo mundo que odiei por fornecer elementos para meu sofrimento, tão irreal e insignificante, agora brilha como novo! É necessário sentir, amar, sofrer, sim, sofrer! Pois como ser feliz na igorância da tristeza? Pois para que haja o bom o mau deve existir, da mesma maneira que para que haja luz deve-se primeiro haver trevas.

Digo a vocês mais uma vez para se rejubilarem, e abrirem suas mentes e corações para o mundo que nos rodeia, tantas coisas que passaram desapercebidas enquanto mantinha meu coração fechado, mas que agora prendem minha atenção por horas sem fim!

O verdadeiro caminho está a nossa frente, só é necessário abrir mente e coração para vê-lo, e paciência e vontade para segui-lo.

sábado, 5 de setembro de 2009

Pensamentos do caminho

Hoje escrevo sem me sentir deprimido, o que me leva a escrever hoje não é um estado de espírito, mas sim a ausência de um. Quanto mais me aprofundo na análise dos sentimentos e relacionamentos, mais me afasto deles. Uma vez que o caminho é tomado, não existe volta, você estará para sempre fadado a ser um estranho entre os seus.

Ainda existe muito a aprender, padrões a descobrir e decifrar... E minha curiosidade não parece ter fim, entretanto temo pela minha sanidade, para entender os sentimentos tenho que abrir mão deles e ainda existem alguns dos quais não consigo me desfazer...

Sentimentos estes, que nutro apesar do sofrimento que me causam, pois representam meu único elo com a humanidade, me refiro assim à humanidade, pois seria um humano sem sentimentos humano? Como chamar de humano alguém que não consegue amar?

Mesmo assim, continuo vivendo um dia de cada vez, sem que as pessoas ao meu redor percebam a luta feroz entre meu coração e minha mente, luta que determinará meu destino, para o bem ou para o mal.